A geração “mimimi”. Será mesmo?

Saudações Pessoal,

Dentro dos interesses que possuo no âmbito de Segurança da Informação, uma coisa que sempre me faz refletir e chama minha atenção, nos dias de hoje, é a velocidade com a qual a informação se propaga no mundo. Para o bem ou para o mal, a internet e, mais especificamente, as mídias sociais digitais, tornaram possível uma informação “navegar” pelo mundo em alguns poucos minutos. Às vezes, até segundos.

Considero, inclusive, que somos, sem exceção, uma sociedade despreparada, em nossa maioria, para lidar com isso. A velocidade da informação é algo tão absurdo que supera, em muitas vezes, a capacidade de abstração que muitos de nós temos sobre isso.

Tendo isso tudo em vista, vamos falar sobre o comportamento da chamada “geração mimimi”, que dá o título do nosso texto.
Hoje em dia, tudo é motivo para processos. Tudo mesmo. O caso mais recente foi dos “Luizes Augustos” que decidiram processar a Sadia, por conta de uma recente propaganda da marca envolvendo seus nomes. Leia o caso  aqui:

Quando li o caso, pensei exatamente isso: “quanto mimimi por uma bobagem dessas”. Depois, resolvi pensar um pouco mais e tentar ter outra visão da situação.

Na época em que eu estudava na escola, obviamente, tive muitos apelidos. Alguns bem desagradáveis. Coisa de criança, né? Enfim, sobrevivi a isso. Mas, na época em que eu ia à escola, não havia a internet como ela é hoje (e assim denuncio minha idade). Os meios de comunicação de massa eram radio, tv e jornal. Qual a probabilidade de um de meus apelidos de infância cair em uma dessas mídias, nessa época? Próximo de zero, certo?

 

Vamos avançar no tempo para 2016. Qual a probabilidade de um apelido meu cair no Facebook de um “amigo” mais “ousado”? Quase 100%, né? Vamos supor que esse amigo tenha 1000 outros amigos. Se ele me marcar, atinge meus 1000 amigos. Se ele põe esse post público, qualquer um da mídia social consegue compartilhar o post dele. E aí eu nem tenho paciência pra fazer essa conta.

Se antes a “chacota” se “perdia” em um meio de 200/300 alunos, a depender do tamanho da escola, hoje esse número cresce exponencialmente.

 

Utilizemos outro exemplo mais brutal. Os vídeos “amadores” que são compartilhados pelo WhatsApp e outros aplicativos. Pessoas sendo expostas, de todas as formas e maneiras, sem direito a defesa ou a possibilidade/capacidade de parar aquilo. “Ah, Alberto, se deixou gravar é porque queria mostrar”. Queria. Mas queria mostrar pro mundo inteiro ou só pra pessoa que gravou? E temos, inclusive, uma série de registros de mortes de pessoas que tiveram seus vídeos íntimos divulgados e não conseguiram lidar com a pressão que isso trouxe para suas vidas, por motivos relativamente óbvios. O ser humano é cruel. Às vezes não se dá conta do quanto. Mas é muito cruel com o erro do outro.

 

Mas, Alberto, se as pessoas SABEM que isso pode acontecer, porque continuam gravando vídeos dessa natureza?

Dentre outras coisas, pelo fato de que não percebemos a capacidade que uma informação tem de correr o mundo, nos dias de hoje. Como citei acima: foge de nossa condição de abstração. Não fazemos ideia. Não mesmo.

Fico me perguntando se, de repente, o “excesso” de “mimimi” não tem lá seu valor. Se as pessoas não se posicionarem sobre essas coisas, será que haverá um mínimo de controle? Eu não tenho essa resposta. Mas acho que a abertura para essa reflexão é válida. E foi justamente esse o objetivo deste texto. Precisamos iniciar o processo de nos educarmos para esse novo mundo. Para essa realidade. Nossos filhos têm uma vantagem tremenda em relação a nós: eles já nascem nesse novo mundo conectado. Mas, se não fizermos nada para educá-los de forma adequada, essa vantagem não vai servir de muita coisa. Nossa geração precisa de educação digital, de forma urgente.

 

As aulas de “informática” da escola não são mais suficientes. Aprender Word, Excel e PowerPoint, também não. As antigas cadeiras de “moral e cívica” também não fariam tanta diferença no cenário atual. Por já não estarem mais tão aliadas à realidade. É preciso parar, reorganizar e fazer do zero, sem se basear no que já existe. Simplesmente porque o que existe talvez atrapalhe mais do que ajude nesse processo educativo. Diria, inclusive, que talvez nem consigamos ainda criar algo minimamente adequado para a necessidade atual da sociedade, pela ausência de estudos comportamentais sólidos sob essa ótica. Mas se não começarmos a fazer isso agora, quando o faremos? Quando viver em uma sociedade digital for um martírio?

 

Vivemos um novo momento que necessita de atenções e cuidados distintos. Novas possibilidades,

novas potencialidades e novos (e imensos) riscos. Precisamos nos preparar para o “melhor viver” no mundo digital. Torno a dizer: a necessidade de nos capacitarmos para isso é URGENTE. E é geral. Cada vez mais temos pessoas conectadas e cada vez menos temos pessoas educadas para isso. É uma questão relativamente simples: ou fazemos isso agora, ou colheremos, durante um período extenso e próximo, os dissabores de não termos feito isso.

 

E enquanto não nos preparemos, o que fazer?

 

Por hora, deixo minha sugestão de usar as 3 famosas regras de “ouro” da comunicação digital, em minha humilde opinião:

 

1 – Você falaria tudo isso, pessoalmente, para a pessoa?

2 – Isso causará algum tipo de prejuízo para o outro, hoje ou em um futuro próximo (ou não)?

3 – Você tem certeza ABSOLUTA dos dois itens acima?

Se sim, esse item é passível de ser postado. Caso contrário, não faça.

[]´s

Alberto Oliveira, CISSP

Microsoft MVP

 

Sobre Alberto Oliveira

Consultor de segurança da informação CISSP; Microsoft MVP - Forefront; MCSA/MCSE : Security, MCT, MCTS, MCITP; ComTIA Security Itil V2 Foundations
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