Tempos atrás eu fiz algumas apresentações em um evento da empresa onde trabalhava,
Lanlink, junto com a Microsoft. O foco do evento foi Windows Server 2008 e suas novidades, Alta disponibilidade com SQL 2008, Virtualização com o Windows Server
2008 e o mercado e as certificações.
Fui o palestrante de 3 assuntos: Windows Server 2008, Virtualização e certificações.
Na última, ao invés de fazer uma apresentação formal, fiz um bate papo com os
presentes (quase 200 pessoas) sobre minha visão de mercado, caminhos que tomei
para certificação e escolhas. A conversa foi muito, mas muito interessante e o
resultado extremamente proveitoso. Foi tão bom que me estimulou a escrever 2
posts sobre certificação, mercado e o caminho que eu tomei para ir atrás do meu
“lugar ao sol”.
Bom, vamos começar do começo,
.
Nunca fui um estudante excepcional. Sempre fui do mediano pro ruim. Descobri,
depois de entrar na faculdade, que meu problema era gostar do que lia. Notei
que quando pegava um assunto que eu gostava, eu me estimulava mais e mais à
estudar.
Isso aconteceu em meados de 1997, quando comecei a cursar Ciências da Computação,
na Universidade Católica de Pernambuco. Logo no meu primeiro ano, consegui um
estágio em uma escola aqui da região, Recanto Infantil, para cuidar do laboratório
de informática. Meu primeiro contato com um servidor, pasmem, foi com o sistema
operacional Linux. Red Hat, pra ser mais exato. Achei meio complicado no começo
mas depois foi tranquilo. Foi quando comecei a estudar sobre redes de computadores
e me interessei sobre o assunto. Ainda não tinha descoberto segurança da informação.
Na verdade, esse não era lá um assunto muito comum na época.
Depois de 1 ano de estágio, decidi que era hora de mudar. Peguei as economias do
estágio e paguei 2 cursos de NT 4.0 no Iteci, na época CTEC , para aprender mais
sobre os sistemas operacionais de rede Microsoft. Linux era legal, mas essa história
de viver em fórum atrás de “boa vontade” nunca foi meu forte. Sempre gostei de ler
e pesquisar sobre as coisas que eu estudava.
No Iteci, fiz o networking essentials e o administering Windows NT Server 4.0.
Foram excelentes cursos para melhorar meu conhecimento sobre sistemas operacionais
e redes de computadores propriamente ditas.
2 semanas depois, 2 cursos realizados e alguns reais mais pobre, consegui uma
oportunidade no próprio Iteci. Trabalharia em clientes do Iteci, atuando como
administrador de redes Windows NT 3.5 e 4.0. Fiquei no mínimo empolgado.
Foi quando tive minha primeira decepção com profissionais certificados.
Alguns meses de trabalho, muitas broncas resolvidas e me deparei com um problema
complicado. Eu trabalhava em cliente que possuia um site principal e um remoto.
E a resolução de nomes WINS não funcionava nem com reza forte. Pesquisei pra
caramba e nada. Hora de pedir ajuda aos universitários. Antes eu tivesse pesquisado
mais,
.
Liguei para um colega da mesma empresa e pedi ajuda. Expliquei todo o cenário e o
problema. Ele pediu um tempo e me ligou 2 horas depois. Ele me explicou EXATAMENTE
o que tinha no MOC. Nem uma linha a mais, nem uma a menos. Foi como ler. E eu já
tinha lido.
Agradeci a ajuda e fui ralar. Pesquisei mais um pouco e encontrei uma possível
solução. Importar a base de um WINS no outro e reiniciar a replicação. E não é
que funcionou?
Liguei para meu colega MCSE e informei a ele como havia resolvido. E ficou por isso
mesmo. Tempos depois, precisei de outra ajuda e conversei com outro MCSE. Mesma coisa.
Comecei a pensar: Será que esses caras só fazem ler MOC? Se ser MCSE é isso, eu
não quero. Preciso usar o altavista (sic). Ainda bem que hoje existem mecanismos
de busca mais eficientes, como o Google e o bing. Daria de bom grado uma
porcentagem do meu salário a eles, em troca da ajuda que recebo.
Bom, mas vamos voltar pro assunto. Continuei minha vida profissional, ignorando
solenemente os profissionais certificados. Ler MOC eu também sei. E isso não é
nada dificil. Demorou um bom tempo para eu ver que as coisas não eram bem assim.
Mais ou menos 5 anos.
Em 2002, estava bem empregado, com um salário razoável, mas sem perspectivas
de crescimento. Trabalhava no Grupo Elógica, provedor de internet de minha região,
com servidores Windows e Linux (esse negócio me persegue). Tive uma grande oportunidade de aprendizado, mas não era algo que eu pudesse continuar o resto da minha vida.
Decidi, então, que era hora de mudar, mais uma vez. Comecei a participar de
algumas seleções e algumas portas se abriram. Mas nada que me enchesse os olhos.
Uma delas encheu. Fiz uma entrevista para entrar numa empresa de consultoria, que
tinha foco em certificação. Pensei eu: Bem, vou ter vários ambientes distintos para
aprender e exercitar meus conhecimentos. Quero trabalhar com isso. Pena que tem
essa tal de certificação. Vou ter que ler MOC’s e repetir pros outros,
.
Fiz a entrevista com um profissional de renome no mercado local e hoje brasileiro,
Sérgio Dias. Hoje somos amigos, mesmo com a distância. Sérgio esta em São Paulo,
trabalhando na equipe de engenheiros da Symantec, sendo o especialista em cloud computing para a américa latina.
A conversa foi excelente. Demonstrei propriedade em várias tecnologias, sobretudo
Microsoft. Em tempo: Eu já havia começado à estudar segurança da informação de
forma mais focada e isso foi um grande diferencial. A experiência com Linux também
me ajudou. Conhecer a concorrência sempre ajuda,
.
Depois de muito conversar, chegamos no ponto crucial:
Ele me fez a seguinte pergunta:
Sérgio: “Por que você não é certificado, já que conhece o Windows?”
Alberto: “Porque eu nunca conheci um cara desses que fosse bom. Dou valor à isso não.”
Sérgio: “Mas o mercado dá. E você está enganado sobre os profissionais certificados.
Acredito que você tenha conhecido pessoas ruins no que faziam, mas em que profissão
não existem ovelhas negras?”
E enveredou por uma conversa muito esclarecedora sobre profissionais diferenciados
e como comprovar seu conhecimento.
Acabei não ficando na vaga, mas aquilo me fez pensar. E tomei a decisão: Vou me
certificar. Vou mostrar que sou diferenciado. E comecei a estudar.
Só que o trabalho não ajudava. Eu começava as 8 da manhã e não tinha hora pra sair.
Me formar foi um exercício de paciência. Precisei abrir mão de muitas coisas para
dar conta do trabalho e terminar a faculdade.
E nada de tempo pra me certificar!! Tentei várias vezes me preparar, mas nunca
conseguia dar foco.
Tomei uma decisão: Se eu não consigo o que quero aqui, vou tentar de outro jeito.
E comecei a fazer um pé de meia. 1 ano depois, formado, informei a empresa que estava
saindo. E fui me agarrar com os livros.
Fiz minha primeira prova em 2003, com 15 dias de “demitido”. Foi uma glória para mim.
Continuei dando foco e estudando. Enfrentei problemas pessoais na época, que não
cabem neste post, mas que acabaram por atrapalhar minha performance. Resultado:
Atraso de vários meses no meu planejamento.
3 meses depois fiz a segunda prova. Sucesso, novamente. Que bom,não é? É, mas cadê o
emprego?? Novamente, Sérgio foi decisivo nas suas dicas. Não adianta ser bom, se
ninguém sabe. E não é sair dizendo por ai que você é bom. Mas é conhecer as pessoas
certas, é participar de eventos e fazer networking.
E eu comecei a fazer. Num desses, conheci outro grande profissional e hoje amigo
pessoal chamado Pedro Eurico, também do time de engenheiros da Symantec hoje.
Na época, ele era Gerente de Serviços da Allen informática. Conheci ele, conversamos
bastante e ele pediu meu curriculum. Outro cara que me ajudou bastante foi Luiz
Gustavo Tavares, na época PTS da Microsoft Recife, hoje diretor regional da
Softcorp aqui no NE (tô bem de amigos, não?
).
Mais uma seleção. Dessa vez, sucesso!!! E lá fui eu. Comecei na área de consultoria.
8 meses depois, fui convidado para integrar o time de suporte da Lanlink, empresa
referência na região NE pela excelência de sua equipe. Eu pensei: Eu quero fazer
parte desse time. E essa relação durou 7 anos. Falar mais sobre essa transição é
encher linguiça.
O que interessa: Desde que eu tomei a decisão de sair da Elógica e estudar,
fiz mais de 20 provas de certificação e tenho algumas das credenciais mais desejadas
hoje pelo mercado.
São 8 anos dedicados ao estudo e crescimento profissional. Isso inclui noites sem
dormir, provas de certificação em prazos muitas vezes apertados, noites de trabalho,
principalmente fins de semana , e contar com a compreensão da esposa.
Ou seja: “No pain, no gain”. Sem dor, não há ganhos. Em um momento da sua vida, você
vai precisar fazer uma escolha. E essa escolha vai determinar o que acontecerá com a
sua vida. Mas não é só a escolha. Toda escolha tem os pontos positivos e negativos.
E você precisa estar disposto a encarar todos eles. Vai doer. Vai sim. Você
vai se estressar. E vai fracassar. E isso vai ser chato. Mas ninguém morre e você vai
seguir em frente.
Na primeira vez que eu reprovei uma prova, foi exatamente a primeira que fiz ao
entrar na Lanlink. O que eu ouvi do meu chefe na época,Jailson Batista:
“Eu prefiro lidar com pessoas que conhecem vitórias e derrotas, do que
com as que só conhecem vitórias.” Minha primeira reprovação foi na prova de ISA 2000.
Interessante ou não, me tornei MVP exatamente em ISA Server 1 ano depois. Acho que serviu pra eu estudar um pouco mais,
.
Enfim, é muito texto, muita leitura e eu espero que sirva de inspiração. Não, eu não
quero e nem recomendo que quem ler esse post peça demissão e vá pra casa estudar. O
mercado é dificil, é pequeno mas possui oportunidades. Mas existem vários critérios
para entrar nele e é preciso estar atento aos mesmos
E minha intenção não é dizer que eu sou o “foda”, que sou melhor do que ninguém ou que
eu sou “o cara”. Até porque “o cara” já morreu, né? E que Deus o tenha.
Eu só quero que todos vocês saibam que é possível conseguir o lugar ao sol. Mas que não
vai ser fácil e nem vai cair no seu colo. Será preciso ralar, estudar, abdicar. Mas a
recompensa vai vir.
Hoje estou partindo para um novo desafio (a famosa frase):
Decidi ter meu próprio negócio.
Daqui a exatos 5 dias estarei saindo de uma “relação” de 7 anos
com meu antigo empregador, a Lanlink Informática, onde pude aprender e evoluir
bastante como profissional e pessoa. Saio com a certeza do dever cumprido e de ter
deixado um bom legado.
Agora, é matar um leão por dia, pagar as contas e ver o que sobra,
.
Esforço não faltará. Lágrimas, suor e sangue, também não. Para que já “mudou” de vida
tantas vezes, uma a mais, uma a menos, não há de fazer diferença. “No pain, no gain”!
Para quem tiver a curiosidade de conhecer: www.truesec.com.br . Mais um sonho que se realiza,
. Que venham muitos, muitos outros!
Sem querer ser injusto com outros amigos que são igualmente importantes, queria fazer um adendo. Nos últimos anos, uma pessoa que não está próxima em termos físicos, mas que me ajuda e me apoia DEMAIS, merece um “muito obrigado” especial. Meu amigo “americano”, Yuri Diógenes, que mesmo estando muitos kilômetros longe do Brasil, sempre procurou me apoiar, me ajudar e me indicar caminhos legais por onde seguir, aceitando eu o conselho/dica ou não,:). Por isso, meu amigo Yuri, meu MUITO OBRIGADO POR TUDO, de coração.
Aos demais que eu não citei aqui, saibam que sem vocês eu não conseguiria sair do canto. Vocês são meu suporte, minha fortaleza, meu tudo. Assim como minha família. São eles que estão com a gente, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. E, segundo minha crença, nem a morte nos separa. E que assim seja,
.
Por fim, deixo para vocês meu conceito de sorte.
Sorte = preparação + competência + oportunidade .
Se prepare. Seja bom no que faz. Se torne referência. A oportunidade vai surgir.
É só uma questão de tempo,
.
[]‘s
Alberto Oliveira,CISSP
Microsoft MVP, Forefront